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O QUE MUDA PARA O BRASIL COM A ELEIÇÃO DE JOE BIDEN

Atualizado: Fev 27



Existe relevante preocupação nos meios institucionais brasileiros quanto ao reflexo das atitudes extremadas do atual governo do Brasil na defesa de posições retrógradas e antidemocráticas, em especial, em relação a manutenção das parcerias com o recém-eleito presidente dos EUA. Tanto o atual presidente do Brasil, quanto seu Ministro da pasta de Relações Exteriores manifestaram forte correlação com a política praticada pelo candidato derrotado nas eleições norte-americanas, a saber, Donald Trump, fazendo coro na afirmação de fraude no citado processo eleitoral, e com o pensamento do setor político de extrema direita dos EUA, dando apoio a invasão do Capitólio por simpatizantes do governo de Donald Trump.


Neste somenos, o presidente do Brasil veio a reforçar a visão negativa que possui na esteira do Partido Democrata norte-americano, que assume seu governo como um retrocesso na ordem institucional da América Latina, com fidelidade a Donald Trump, e capaz de assumir posições contrárias aos interesses do Brasil, somente para se alinhar com o pensamento ideológico do Partido Republicano dos EUA, (RUBIN e COLLINS, 2021).


Provavelmente uma agenda importante entre Estados Unidos e Brasil, terá vínculo com a questão ambiental, com possíveis alterações também nas relações econômicas entre as nações, que tendem a assumir contornos de melhoria, vez que a proximidade entre Trump e o governante brasileiro não veio a render bons frutos para nosso país; e em perspectiva contrária muitas atitudes do atual governo apenas atendiam aos interesses da administração Trump, dando margem a prejuízos para o setor empresarial brasileiro, (RUBIN e COLLINS, 2021).


De importante no aspecto comercial, os EUA nos últimos tempos voltaram a negociar com o Brasil a importação de carne in natura, assim como no estreitamento de laços nos setores de bens, energia, defesa e meios de infraestrutura. Também, os EUA vieram a endossar a candidatura do Brasil na Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, sob sigla (OCDE). Porém, poucos ganhos em termos econômicos forma auferidos para nosso país, e em contrapartida, o quadro citado deu margem a benefícios a economia norte-americana, (STIGLITZ, 2021).


Em seguida a China, o Brasil tem os EUA como principal parceiro no universo comercial. O superávit comercial de nosso país no exercício de 2021, deve atingir o patamar de US$ 50,9 bilhões, com a China contribuindo para este montante com US$ 33,6 bilhões, e no universo negocial a economia norte-americana sempre foi ávida pelos produtos brasileiros, (STIGLITZ, 2021).


Porém, foi observado um saldo negativo de US$ 400 milhões na balança comercial entre Brasil e EUA no exercício de 2019, com este valor sofrendo majoração no ano de 2020, atingindo o valor de US$ 2,7 bilhões. Em contrapartida, as exportações do Brasil para a China têm centro em poucas commodities e de pouca expressão no tocante aos serviços, enquanto que na relação com a economia dos EUA, existem maiores valores agregados e diversificação em termos de produtos, (KRUGMAN, 2021).


Sob a administração de Joe Biden, será formada uma nova política econômica de aspecto externo com base na valorização do multilateralismo, no diálogo, nas ações diplomáticas, que podem se apresentar favoravelmente aos interesses do Brasil. Muitas expectativas, no entanto, não devem ser esperadas no tocante ao verificado nos últimos anos, como trouxe na forma de destaque o relatório de caráter recente da Câmara de Comércio Brasil/EUA, (KRUGMAN, 2021).


Negociações mais abrangente em termos comerciais, como no envolvimento da diminuição de tarifas e outras variáveis mais intrincadas, que envolvem o setor de serviços, de propriedade de conotação intelectual e de compras de ordem pública, malgrado sejam inciativas interessantes, tem envolvimento em aspecto de neta complexidade, (FINANCIAL TIMES, 2021).


Relevante se faz citar o forte desacordo entre as nações na questão ambiental e climática, com a necessidade de consultas prévias aos congressos dos dois países, para haver uma definição do modo de procedimento das negociações, a saber, se terão como palco o bloco o chamado MERCOSUL, e ou se ocorrerão diretamente entre as duas nações ― o que pode gerar a necessidade de consenso entre o governo brasileiro e seus parceiros de Sul-América, (FINANCIAL TIMES, 2021).


A formação de acordos comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos, sempre se reveste de um caráter de desafio, em parte pela proximidade de operação das economias das nações em termos capitalistas, visto que ambos são relevantes geradores de commodities de cunho agrícola e de manufaturados industriais, como os automóveis, metais importantes comercialmente como alumínio e aço, (POLITI, 2021).


Também, não deve constar da agenda inicial da administração de Joe Biden a questão da relação comercial com o Brasil, principalmente ao considerar a larga experiência de Joe Biden no segmento das relações entre os países. Existe baixa probabilidade de que o novo governante norte-americano, venha a assumir uma atitude de confronto político com o Brasil, a considerar seu modo de ação quando assumia a condição de vice-presidente no governo de Barack Obama, que era pautada sempre pelo diálogo, e ações diplomáticas entre o Brasil e os EUA, (POLITI, 2021).


Logicamente, o cenário da economia e da política mundial se diferenciou notadamente deste os tempos do governo de Obama nos EUA, com Joe Biden tendo que imprimir uma assinatura diferente em sua gestão governamental. Porém, existe poucas chances de alteração na política externa sob a batuta de Joe Biden, que via de regra será menos errática e intempestiva como se observou no governo de Donald Trump, com assertiva de mais previsibilidade, (FINANCIAL TIMES, 2021).


Para a realidade brasileira, malgrado a relevante questão que envolve o desmatamento sem precedentes na Amazônia, e o coro com os republicanos do EUA nas acusações de fraudes que poderiam existir nas eleições norte-americanas em desfavor de Donald Trump ― existe pouca probabilidade de haver uma conotação de confronto direto entre Joe Biden e o atual governo constituído no Brasil, em termos políticos e econômicos. Tal confronto pode ter lugar nos bastidores, com o atual governo dos EUA podendo atuar no sentido de promover o

impeachment do atual presidente do Brasil, se o grau de insatisfação social atingir patamares elevados nos próximos tempos, em especial, no tocante ao tratamento dado pelo atual governo no controle e administração da pandemia de Covid-19; que muito se aproxima do tratamento ofertado pela administração Trump, e que gerou perdas de vidas de ordem considerável. Tal fato não assumiria conotação inédita no cenário da América Latina, (RUBIN e COLLINS, 2021).


Um aspecto de importância no entendimento da relação do governo de Joe Biden como Brasil e demais países do bloco sul-americano reside, na evolução das tratativas entre ogoverno dos EUA e a China, no tocante a gestão da democracia. No governo anterior deDonald Trump, a política externa voltada ao continente de sul América teve orientação no sentido de barrar a influência e política e a entrada de bens econômicos da China na citada região do globo, que via de regra sempre está sob a égide dos interesses norte-americanos, (DERBY, 2021).


Caso o governo de Joe Biden, venha a manter a política confrontante aos interesseschineses na América, é provável que existam reflexos desta postura na relação do EUA com o Brasil e demais países da América Latina. Na condição de maior potência econômica do blocode nações sul-americanas, o Brasil possui um viés geopolítico de cunho inquestionável, ocupando posição de destaque em cenário regional. Malgrado os Estados Unidos serem os responsáveis por grande percentual de investimento estrangeiro na economia brasileira,

verifica-se uma diminuição gradativa de tal influência no decorrer do tempo histórico. Em outra parte, a China, tem se tornado um parceiro comercial que comunica relevantes investimentos ao rol de capitais circulantes na economia brasileira; e recentemente supriu nosso país dos insumos para a fabricação de vacinas contra a Covid-19; apesar da desastrosa atuação do governo brasileiro neste ínterim, que proferiu impropérios a nação chinesa, antes de se render a necessidade da importação dos considerados ativos, (DERBY, 2021).


Em seu documento de congratulação direcionado a Joe Biden, na data de 20 de janeiro de 2021, o atual presidente do Brasil proferiu afirmação da relação de parceira de longa data entre nosso país e os EUA, com base em sólidos propósitos e valores de caráter elevado, tais como os interesses relativos a manutenção da liberdade individual e a democracia no continente americano. Nesta mensagem existe uma conotação sub-reptícia de auxiliar os EUA e sua nova administração no referente aos interesses norte-americanos em sul América, e em particular, no confronto com a política externa da China, (PAMPLONA, 2021).


Joe Biden já proferiu palavras de ordem voltadas a construção de uma aliança de caráter global no sentido de confrontar ou suprimir regimes considerados pela nação norte- americana como autoritários, mirando seu arsenal de sanções de viés econômico e comercial para a China. Mas, na ótica do meio político democrata que assumiu o governo dos EUA, o atual presidente do Brasil, tem contornos de um governante de extrema-direita, com penderes para o autoritarismo e retrocesso de ordem institucional ou mesmo histórica, que não representa de modo algum o interesse norte-americano na geopolítica do continente, (PAMPLONA, 2021).


Em contrapartida, é lícito lembrar que os EUA já demonstraram larga tolerância com os regimes autoritários em sua área de influência econômica, desde que venham a fazer seu jogo de interesses no continente, (DAVIS e WEI, 2021).


Um vácuo político de importância é formado na visão do governo dos EUA no tocante ao agir contra a depleção da questão ambiental, e como tal ação terá reflexo na relação comercial entre Brasil e EUA, com a insistência do atual governo brasileiro em desmatar grandes áreas florestais para atender aos interesses de setores do agronegócio, que com últimos avanços tecnológicos de produção, não necessitam de grandes segmentos territoriais para fomentar suas atividades. Para agravar este ínterim na relação entre os países, o atual presidente do Brasil proferiu bravatas ao governante recém-eleito dos EUA, reforçando o anseio da continuidade da política de devastação ambiental, (DAVIS e WEI, 2021).


O tempo histórico dirá se os EUA realmente terão uma posição de tolerância ou de confronto com o governo do Brasil, sobre a questão ambiental, ou se irão adotar uma política de aproximação voltada a suprimir a influência econômica da China no continente americana. Pode ser que tudo não passa de jogo de cena dos democratas norte-americanos, ou algo de relevante irá se proceder em torno da preservação do meio ambiente na América do Sul, que tem fortes reflexos no estado da arte do clima e temperatura nas demais partes do globo terrestre, (STIGLITZ, 2021).


Em Relatório de caráter recente emitido pela Câmara de Comércio dos EUA, existe a aposta da elevação de importância da temática da preservação ambiental e sustentabilidade, como algo a figurar no esteio da agenda de investimentos e de comércio entre as nações, tal como se processa na relação de nosso país com as nações do continente europeu, (STIGLITZ, 2021).


Conforme o texto do citado Relatório, a evolução do compromisso do Brasil com a preservação ambiental, servirá de caldo de cultura para o estreitamento de relações de parceria com os EUA, bem como a habilidade e anseio por parte das duas nações em buscar soluções de caráter mútua e satisfatório no enfrentamento dos desafios da seara ambiental, (RUBIN e COLLINS, 2021).


Referências bibliográficas


DAVIS, B., WEI, L., Política de Biden na China deve ser dirigida por uma equipe de

rivais. The Wall Street Journal, 03/02/2021.


DERBY, M.S., EUA: Powell diz que aumento de juros está longe de ser iminente. Dow

Jones Newswires, 15/01/2021.


FINANCIAL TIMES. Os primeiros dias da Administração Joe Biden, 05/02/2021.

KRUGMAN, P., Resgate da pandemia. É real ou imaginário? New York Times,

10/02/2021.


PAMPLONA, P., Em pacote sobre o clima, Biden mira gás e petróleo e cita proteção da

Amazônia. Folha de S. Paulo, 14/01/2021.


POLITI, J., Janet Yellen diz audição de confirmação de que os EUA devem ‘agir em

grande escala’., Financial Times, 18/01/2021.


RUBIN, R., COLLINS, E., Biden anuncia novo pacote de estímulo, de US$ 1,9 tri. Dow

Jones Newswires, Valor. 15/01/2021.


STIGLITZ, J.E., Biden e sua grandeza. Big. Project Syndicate, 01/02/2021.

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